Paciente do Hospital de Saúde Mental resgata saúde e convívio familiar

21 de dezembro de 2018 - 12:07

Antônio Carlos, 45, não imaginava como poderia mudar de vida. Durante trinta anos manteve o vício descontrolado por bebidas alcoólicas. O auge do alcoolismo foi em 2017, quando ficou desempregado. Com a ociosidade, o desejo de beber aumentou e os desentendimentos familiares também. Casado e com duas filhas, uma de 13 anos e outra de 7 anos, Antônio viu seu mundo desabar. “Chegou um momento que eu estava tão adoecido, fraco, sem forças e sem expectativas que eu não acreditava mais em mim”, relata.

Nesse momento de tanto sofrimento, um amigo de Antônio decidiu levá-lo para o Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), do Governo do Ceará, onde existe a Unidade de Desintoxicação (UD) e o Elo de Vida, serviços voltados para recuperação e tratamento de dependentes químicos. Antônio foi atendido na emergência e logo foi encaminhado para UD, onde passou 15 dias em tratamento intensivo. “Ele chegou com vários problemas de saúde. Estava muito debilitado e o estado emocional bastante abalado”, conta o enfermeiro e coordenador da Unidade de Desintoxicação do HSM, Marcos Antônio Saraiva.

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Depois de vencer a primeira etapa, Antônio foi encaminhado para o Hospital Dia – Elo de Vida, para dar continuidade ao processo de manutenção da abstinência após a desintoxicação. “Aqui nós estimulamos a mudança de hábitos e comportamentos, favorecendo e contribuindo com um projeto de vida sem o uso de substâncias psicoativas. Para isso, contamos com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e enfermeiros”, explica a coordenadora do serviço, Sandra Coelho. No Elo de Vida, os pacientes são atendidos de segunda a sexta-feira, durante o dia todo. No período noturno, voltam para casa. “É importante que haja esse contato e aproximação familiar”, reitera Sandra.

No Elo de Vida, veio a transformação que Antônio tanto sonhava. Nesse processo, ele contou com o apoio da família e da técnica de enfermagem Rosemeire Lima, que teve a sensibilidade de ouvi-lo enquanto realizava os procedimentos técnicos de sua atividade. “Nós, que trabalhamos no hospital mental, temos que ter esse olhar diferenciado. Eu sempre me preocupei em ouvir o que o paciente tem a dizer. Quando eu escuto, dou a oportunidade para ele desabafar. O Antônio chegou aqui muito deprimido e eu sempre me preocupei em ajudá-lo nesse processo, sem julgá-lo, mas simplesmente ouvindo o que ele tinha a dizer e dando alguns conselhos”, conta Rosemeire.

Um desses conselhos fez Antônio refletir sobre a importância de se recuperar para estar mais próximo a família. E foi isso que aconteceu. A esposa dele, Mônica Barros, assistente administrativa, declara que o melhor presente de Natal foi essa mudança de vida que está acontecendo com o marido. “Agora estamos recuperando o equilíbrio e a paz familiar que não existia mais. Conseguimos resgatar a harmonia e a alegria de estarmos juntos. O alcoolismo ficou para trás e as tristezas também”, comemora.

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Os encontros podem trazer consigo a beleza do afeto, de novos relacionamentos, a criação e o fortalecimento de vínculos. Na rotina de uma unidade hospitalar, caminhos se cruzam, histórias diferentes se encontram, pessoas se conhecem, mudanças acontecem. E é esse intercâmbio de ideias, culturas e trocas de experiências, que cada história se redesenha em seu papel de cuidados, planos e sonhos. Uma vida, mesmo que sutilmente, pode afetar outra para sempre. Caminhos do Afeto é uma série de reportagens da Secretaria da Saúde do Ceará. Até 21 de dezembro, histórias de profissionais e usuários da rede pública de saúde do Ceará serão contadas sob diferentes perspectivas.